Friday, September 22, 2006
Também tô no Youtube
Aliás, conhecem a tirada do momento? Não? Ih, então "tomou no Youtube."
Chega de delongas. Tô nesse link aí embaixo. Ao lado do então governador Marconi Perillo e de um bocado de jornalistas. Atenção. O vídeo está aí para que me vejam. Mas antes que me acusem coloco um link do Maguito e o pacto com satanás
Eu e Marconi
Maguito e o capeta
Divirtam-se.
Pedro Palazzo Luccas
Mania de grandeza
Estado -- que adoro, mas reconheço ter pouca importância no cenário nacional -- é de fato o novo eldorado. Tomara que seja. Mas, hoje, não é.
Fazia ontem matéria sobre o mapa da violência, divulgado pelo Ministério da Justiça. Ele aponto Goiás como o 4º maior em ocorrências de mortes violentas. Foram 46 assassinatos por 100 mil habitantes. O Rio lidera.
Pois bem, escrevinhei meu singelo texto e foi repercutir a informação com a Secretaria Estadual de Segurança Pública. Falo com a assessora, que desconhecia os números e acha estranho Goiás e não São Paulo estar no topo. Passo o link e peço para falar com o secretário. Quarenta minutos depois ela me retorna com um telefone e uma tese: "Isso é benéfico para a oposição, não acha?"
Respiro fundo.
Falo: "Até poderia ser. Mas, convenhamos, Goiás representa muito pouco no cenário nacional. E, não se esqueça, a pesquisa é do Ministério da Justiça com dados daí da SSP-GO.
- "É, mas o governo aqui é PSDB..." (era, agora, pelo menos em tese, é PP, penso.)
- Sim. Mas como você mesma reparou São Paulo está muito bem nessa pesquisa. Um dos menores índices. Um prato cheio para Alckmin.
Ela ainda balbucia alguma coisa que eu ignoro.
Ligo para o secretário, que mal espera eu apresentar os dados. Já fala logo da tese conspiratória. Repito meus argumentos, já sem paciência. O homem não quer papo, sugere: "Eu acho que vocês não deveriam publicar isso. Vai jogar pra cima coisa antiga que vai ser usado pela oposição" (amigo, desculpa, eu quero que oposição e governo se explodam, certo?)
Explico o valor da informação. A dificuldade de se colher dados que eles mesmo demoram a repassar e se tabular números. Ademais, 2006 nem acabou, raios!, os números seriam de quando.
O homem argumenta que não quer comentar, que assumiu em 2006 e os números ja melhoraram bastante, mas não queria criar animosidade nos grupos do governo. Mais uma sugestão: "Você pode colocar aí que eu não quis comentar. Aliás, que você não me encontrou."
-- Aí, não, secretário. Não posso sonegar a informação de que estou falando com você
-- Sou repórter. Não derrubo matérias. Se não quer falar, tudo bem. Vou continuar a escrever
-- E quem derruba. (Aqui eu já sabia que podia ir embora mais cedo)
-- Editores, editores-executivos.
Ele disse que ligaria para o diretor de redação. Aviso aos executivos, os únicos do áquario no local, que a matéria seria derrubada, mas que continuaria a fazê-la.
Três minutos depois o recado para meu editor, que intercepto: "A matéria foi derrubada por inteiro."
O dono do jornal usou os mesmos argumentos do secretário para se zangar com a reportagem. Estendo a mão a um dos meus chefes e digo: Até domingo, dia do meu plantão.
Segue abaixo a matéria censurada. Ficaria até maior. Mas, em suma, é isso.
VIOLÊNCIA
Goiás entre os líderes
Estado tem 4º maior índice proporcional de mortes violentas, com 46 ocorrências por 100 mil habitantes. Média nacional é 30.
Goiás é o quarto estado do País com maior número de crimes violentos letais, como homicídio planejado e roubo seguido de morte. São 46 assassinatos para cada grupo de 100 mil habitantes. Em 2005 registrou-se 2.584 ocorrências, numa população de 5,6 milhões de habitantes. Rio de Janeiro lidera o ranking, com 61,5 casos por 100 mil moradores, seguido de Pernambuco (58.2) e Paraná (57.4).
A pesquisa foi divulgada pelo Secretaria Nacional de Segurança Pública com base em estatísticas das secretarias de estado e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A media nacional de 2005 é de 30 ocorrências por 100 mil habitantes. Tanto no Brasil quanto nos estados, inclusive Goiás houve ligeiro aumento na quantidade de registros (veja box) de 2004 para o ano passado.
CONTRAMÃO -- Goiás está na contramão da média nacional: em 2004 registrou-se 30.5 casos no País. No Estado aconteceram 43.1 casos catalogados pela Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP), que enviou 100% dos dados pedidos pela Senasp. Enquanto os números daqui subiram a média nacional, que já era de mais de dez casos de diferença, ficou ainda maior. Apesar disso, a unidade federativa se mantém em 4ª no ranking geral.
O líder Rio de Janeiro está a 14.5 homicídios por 100 mil moradores de distância de Goiás. O estado da região sudeste tinha em 2005, segundo dados da Pesquisa Nacional de 15 milhões de habitantes. São Paulo tem um dos menores índices, 18.9. A unidade federativa menos violenta, de acordo com os dados da pesquisa -- que so conta mortes registradas pela Polícia Civil -- é o Piauí, com 9.7 casos em 2005.
Crimes violentos letais e intencionais em 2004 (ranking de ocorrências por 100 mil habitantes)*
morte p/ 100 mil população ocorrências
1. Rio de janeiro 65.6 15.033.317 9.859
2. Pernambuco 57.7 8.238.849 4.757
3.Rondônia 46.4 1.479.940 686
4. Goiás 43.1 5.402.335 2.329
5.Espírito Santo 42.5 3.298.541 1.401
Brasil 30.5 179.108.134 54.696
Crimes violentos letais e intencionais em 2005 (ranking de ocorrências por 100 mil habitantes)*
morte p/ 100 mil população ocorrências
1. Rio de Janeiro 61.5 15.383.422 9.467
2. Pernambuco 58.2 8.413.601 4.898
3. Paraná 57.4 10.261.840 5.886
4. Goiás 46 5.619.919 2.584
5. Rondônia 42.9 1.534.584 658
Brasil 30 184.184.074 55.312
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Crimes violentos não letais contra pessoas em 2004 (ranking de ocorrências por 100 mil habitantes)**
ocorrência p/ 100 mil população ocorrências
1. Acre 81.1 614.205 498
2. Amapá 73 553.100 404
3. Mato Grosso do sul 65.8 2.198.640 1.446
4. Roraima 64.7 367.701 238
5. Distrito Federal 62.2 2.233.614 1.390
9. Goiás 44.1 5.402.335 2.381
Brasil 34 179.108.134 60.931
Crimes violentos não letais contra pessoas em 2004 (ranking de ocorrências por 100 mil habitantes)**
ocorrência p/ 100 mil população ocorrências
1. Roraima 77.2 391.318 302
2. Acre 66.4 669.737 445
3. Mato Grosso do Sul 66.3 2.264.489 1.502
4. Rondônia 63.1 1.534.584 969
5. Rio Grande do Sul 61.1 10.845.002 6.629
9. Goiás 47.7 5.619.919 2.682
Brasil 34.6 184.184.074 63.565
Legenda:
* homícidio doloso, roubo seguido de morte, lesão seguida de morte e mortes a esclarecer
** Crimes violentos não letais: tentativa de homícidio, estupro, atentados violentos ao pudor e torturas
Fonte: Ministério da Justiça / Secretaria Naciona de Segurança Pública (Senasp) / Secretarias Estaduais de Segurança Pública / Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
Pedro Palazzo Luccas
Monday, September 18, 2006
A queda de um líder

Uma história de calor, diversão, honra, derrota e honra nos confins de Salvador
Não importa se é dia ou noite, as ruas de Salvador são sempre quentes. Um calor abafado, úmido e salobro. Sorte dos turistas desacostumados com tal clima que a brisa, ou melhor, os ventos alísios refrescam o ambiente. Ou pelo menos impede que suem em bicas.
Além do alento natural, a que se observar a necessidade de repor os líquidos e sais minerais perdidos nas caminhadas pelas intermináveis ladeiras do Pelourinho e de demais regiões turísticas da cidade. Esse esforço marcou um grupo de jovens, em Salvador para fins estudantis e, principalmente, turísticos.
Da semana que passaram na cidade quase não descansaram. Ninguém queria perder um minuto de praia -- moravam a pelo menos mil quilômetros de cada pontinha de mar. O dia começava cedo e o grupo seguia quase cegamente sob a batuta do grande Bob. Bob tinha o dom natural da liderança.
Era ele quem dava a palavra final sobre os destinos dos jovens deslumbrados. Como bom democrata, consultava a todos. Em face de opiniões divergentes dava a palavra final: mais uma prova do senso de liderança.
Depois de uma tarde de morgação na tentativa de se recuperarem da noitada anterior, o grupo decide seguir para o Pelourinho. Antes passariam no famigerado Elevador Lacerda. Acontecia na praça em frente ponto turístico um ato estudantil que gerara discussões acaloradas e opiniões divergentes entre os membros.
Alheios ao ato, seguiram para o Pelô junto ao por do sol. Quinze, vinte pessoas num coletivo cheio de gente cansada e fadigada por mais um dia de rotinha. Mas para eles, não, tudo era novo. A empolgação só ficava contida pelo calor e o cansaço.
Depois de uma quase uma hora no ônibus e de frente a morfeu, enfim os estudante chegam ao portal do Pelô. O cansaço vai vagarosamente sendo substituido pela alegria de conhecer o novo. O ato tinha chegado ao fim e eles poderiam curtir sem preocupações.
Grande líder Bob, sedento, compra naquela lanchonete onde o pingado representa um perigo real uma garrafa daquelas vistosas de líquido energizante Gatorade. Sabor morango. Um uma delícia, geladinho, dizia a feição do líder. O negócio estava tão gostoso que o bocal da tampa foi descartado, só pra que o líquido fluísse mais rápido.
Trinta passos, cinco centavos na catraca e quatro bons goles. Bob e seus intrépidos amigos passaram pelo curralzinho e já estão diante o elevador lacerda do lado direito de quem desce. Uns cinco ou seis baianos esperam o transporte com cara de preguiça. Do lado de fora da cercania, um garoto maroto (perdão pelo trocadilho cafajeste, não resisti).
"Ô, tio, me dá um golinho?" A turma toda estava cansada. Poucos viram a exitação do líder. Foram frações de segundo em que ele olhou para a adocicada bebida e para o garoto. Uma criança dessa não pode fazer nada de mal, pensou. A hesitação, por certo, era da boca, que há muito não devia ver uma escova.
Entregou o Gatorade ao garoto, quase sem retornar o braço, pronto para pegar de volta.
Um. Dois. Três. Quatro. Cinco.
Cada segundo era um passo da criança rumo à liberdade das ruas. Peco em não lembrar, mas creio que ele teve a dignidade de agradecer.
Esses segundos foram uma eternidade. O riso, não, não, a gargalhada cumplice veio acompanhada do dedo em riste na direção de Bob. Toda a liderança desmoralizada em cinco segundos. Por uma criança. Depois de refletir as testemunhas concluem que só mesmo uma criança teria esse poder.
Aquele rosto é indescritivel. Um misto de raiva e compaixão, característico dos grandes líderes populares. O franzir das sobrançelhas é o reconhecimento da derrota. Elevador abaixo em alta velocidade, Bob encontra amparo nos braços de Iracema. O pensamento, só estava em um lugar: como estaria gostoso aquele último gole de Gatorade.
Pedro Palazzo Luccas
Tuesday, September 12, 2006
O restinho do presidente

Hoje, uma senhora veio me dando uns conselhos ótimos no ônibus : "Eu acho engraçado que eles falam pra escolher certo, não desperdiçar o voto. Mas me diz quem acerta? Porque a gente vota tentando acertar, mas nunca dá certo. Se pudesse votava nulo pros político vê que a gente não quer eles lá!" Invejei seu discernimento!
Urubuzando
Quem jornaliza nessa época, vê cada maracutaia. No debate realizado na TV, os candidatos quase se estapeando no ar e depois riam e batiam um bom papo de amigos nos intervalos. Sem contar nas tretas mais descaradas em que eles enfiam a cara. E o vexame não fica só por conta deles. Os jornalistas me saem com umas perguntinhas mais descabidas e tendenciosas, que convenhamos, faltam pregar o adesivo da coligação para entrevistar os caras! Sejamos discretos, já que éticos....
Depois de uma hora e meia de espera, ao som de um jingle de péssimo gosto (eu tôcansado de ser levado no bico, xô passarinho, o meu voto é no Maguito), um locutor de rodeio anuncia a trupe: Íris, Maguito, Tarso Genro, Ney Moura, Marta Suplicy e o presidente. O Íris abre com uma pregação eloqüente. Depois vem o Ney, personificando o caricato político de Saulo Laranjeira. Em seguida, entra a vice de Maguito, a psicóloga de auto ajuda Onaide Santillo. Eufórico, o Maguito, encarnado nele mesmo, arregaça a garganta para tentar convencer.
E para o gran finale vem o presidente, que até então estava compenetrado assinando uns papéis, de costa para a massa peemedebista, enquanto seus amigos lhe falavam. Usou os mesmos macetes: citações, frases de efeito e futebol! A coletiva foi cancelada e eu, pensando que talvez o Lula tivesse ido ao banheiro, tento sorrateiramente invadir a área vip, enquanto o jornalistas cercam o Maguito. Nem sombra de presidente. Só restou ir furtar um resto de quitutes que os candidatos haviam deixado no coffee break.
Depois dessa dose forte de politicagem, eu tenho pensado seriamente em poupar os políticos que ainda não se "adesivaram" com o poder. Temo muito em colocar esses distintos senhores na "máquina mortífera", engessada e corrompida do sistema político. Não adianta ter bom coração, caráter e governabilidade. Já dizia Frei Beto, governar não é ter poder. Então por que estragar a vida de um cidadão politicamente correto com um mandato, né não?!
Lorena Maria (repórter da tv cultura rs)
Ah, ao menos me rendeu uma matéria no portal Terra! O nome é da minha superior mas o texto é meu. Não compensa muito ir lá, mas de qulaquer forma:
http://multimidia.terra.com.br/jornaldoterra/eleicoes2006/interna/0,,OI81379-EI5767,00.html
Saturday, September 09, 2006
Geralllldo!!!!!

Angar do Aeroporto de Goiânia, 04/09 - 15:30 . Na entrada, alguns cabos eleitorais pingados flanulam displicentemente suas bandeiras numa tentativa de recepção nem tão insossa. Nada demais, afinal, nem todos arriscaram recepcionar o Geraldo no desembarque para extrair pronunciamentos exclusivos.
Acompanhava a Fabiana Pulcineli, repórter de política do Popular, e juntos esperamos mais de quarenta minutos pela chegada do avião vindo de Jataí: matando copinhos de água morna e tentando decifrar informações de rostos desconhecidos.
No saguão, quem se destacava era um grupo que estufava o peito demonstrando o adesivinho minúsculo e vagabundo com o rosto de Alckmim, juntamente ao lado de um brasão portentoso com o número 15, circunscrito com a frase "Uma Nova Onda".
Uma atitude dúbia e muito comum de comitês jovens de partidos, que costumam lançar movimentos non sense, sem qualquer repercursão. A dúvida na cabeça da galera era evidente: Quem eram os estranhos no ninho tucano?? Até que Fabiana perguntou sobre o que se tratava tal manifestação para um dos rapazotes que tinha o peito decorado. Solícito e forçando uma ar de naturalidade, o carinha explicou que se tratava da frente Maguito(PMDB)- Geraldo(PSDB), encabeçada pelo Mauro Miranda. "Tem mais de cinquenta ali atrás, juntos com o Mauro", reforçou. Na verdade, não passavam de vinte, todos jovens, sorridentes, fazendo piadinhas e circulando em volta de um Mauro Miranda sexagenário.
Enfim, o Avião:
Descem junto com Geraldo: Lúcia Vânia, Alcides e Marconi. É primeiramente vetado o avanço dos jornalistas, contidos na porta do saguão e acalmados por uma promessa de coletiva logo após uma rápida reunião. Ao passar pelo salão, Geraldo (primeira impressão: mais baixo e mais curvado do que a figura televisiva) é recepcionado por duas mulheres - balzaquianas, perfumadas e envoltasem um figurino muito além do a situação requeria. Ambas são abraçadas e beijadas por um Geraldo mauricinho que numa tentativa de forjar um ar mais galanteador pronuncia : "PODEROSAS!!".
Neste momento, ao fundo, Cidinho passava reto sem cumprimentar ninguém e encarando rapidamente a imprensa com aquele olhar meio acuado(sempre de baixo para cima). Os recém chegados e mais alguns deputados tucanos, que também estavam em Jataí, dirigiram-se a uma sala do angar onde se encontrava Mauro Miranda e sua trupe sangue-novo. Não se sabe o que se tratou ou as formas de tratamento que se deram por lá.
Chega então o momento da coletiva. Posicionado em frente às câmeras e gravadores, descontraído, Geraldo tenta uma piadinha: "Oi, eu sou o Geraldo!".
Ao seu lado esquerdo, o ex-governador Marconi Perillo, e, logicamente em seu lado direito..........Leréia!!!
Não sei se avisaram enfaticamente ao Cidinho (candidato ao governo do estado) que o Leréira(deputado estadual do PSDB) estava na área. É lógico que ele sabia, mais acho que só foi perceber realmente a presença do parrudo deputado quando este já ocupava seu lugar ao lado de Geraldo na coletiva.
Leréia é um dos parlamentares que melhor sabe se posicionar em eventos políticos. Ocupa bem os espaços, abre caminho fácil em multidões, não é deslocado com qualquer empurrão. Seria um centro-avante de destaque, sempre no local certo, onde a bola acaba sobrando na área. Foi necessário Marconi, rapidamente, intervir e já no início das filmagem puxar Cidinho, perdido no fundão, para a linha de frente.
Já devidamente posicionados, Alckmin se destacava sendo o ponto pálido entre os demais.Vestia um casaquinho beje, sem graça, como um senhor com frio que sai pra comprar pão pela manhã.
Poucas perguntas, respostas já mastigadas e, quando de fato precionado, proferia evasivas (como ao tratar a crise local entre PFL e PSDB, que apenas enfraquece sua campanha - como vem acontecendo em outros estados).
"Não há crise, o PFL compareceu em Jataí, com o Vilmar Rocha", saiu-se com essa.
Centro de Convenções:
Local do discurso. De onde todos partiriam para a passeata pelo centro da cidade.O carro chega arrastando os que se posicionaram na porta dos fundos do complexo, para a receptividade. Pelo corredor humano formado, passa a pick-up trazendo Cidinho e Geraldo. O carro de Marconi ficou logo atrás, impossibilitado de passar. Necessitou Perillo saltar do automóvel e sair correndo atrás do carro principal, junto com cabos eleitorais e repórteres que viam gradativamente os portões se fechando.
O pavimento inferior do Centro de Convenções se encontrava lotado: cerca de duas mil pessoas, de acordo com a polícia militar. Um aglomerado não muito heterogêneo, formado em sua maioria por cabos eleitorais e funcionários públicos comicionados.
Após os agradecimentos de Lúcia Vânia (neste ano, responsável pela coordenação da campanha de Alckmin em Goiás), Marconi tomou posição no palanque. Rouco, pediu inicialmente palmas para Geraldo, e que todos gritassem juntos: Ge-Ral-Do!...Ge-Ral-Do!..... Sendo seguido pela platéia.
Fez o mesmo com Cidinho: Al-Ci-Des!...Al-Ci-Des!..... Neste momento, todos os convidados sentados na primeira coluna, de mãos dadas, levaram Alcides à frente do palco, para que o candidato canalizasse a energia e a responsabilidade do evento.
E tão logo Perillo deu início as primeiras palavras, o público, instintivamente, recomeçou o coro: Mar-Co-Ni!........
Mesmo com a voz rouca, o ex-governador conseguiu manter uma animosidade em seu discurso. Trechos incendiários, em que touxe para si a responsabilidade do renda cidadã e bolsa escola, programas copiados pelo governo de São Paulo. Frisou: "O Geraldo reconhece que a idéia desses programas vieram de Goiás". A bem da verdade, em suas propagandas, Alckmin creditava a si a elaboração dos programas.
Resgatou-se Mário Covas, que passa a ser trabalhado pelo PSDB na tentativa de elaboração de um mito tucano. "O Geraldo é da escola de Mário Covas".
Fez desafios e promessas ao "futuro Presidente", pedindo a conclusão da Ferrovia Norte-Sul e a criação de mais duas universidades federais em Goiás(em Jataí e em Catalão).
Elencou todas as áreas: produtores rurais, segurança pública, saúde...Falou cerca de vinte e cinco minutos, até não mais restar resquício de voz.
Restou ao Cidinho a difícil tarefa de manter o tom de animação. Algo complicado para alguém que ainda se sente desconfortável sobre o palanque.
Transparecia no discurso do pepista a falta de cacoete político e o desejo imerso de que aquilo terminasse o mais rápido possível. Discursou por cinco minutos, apenas reiterando aquilo que já havia sido dito. Tentou arrancar aplausos em momentos de euforia claramente ensaiados, que perdem, por si só, a naturalidade.
Embarcou na onda de Geraldo e seu choque de gestão, sem realmente dizer quais seriam as ações. Referiu-se mais aos seus companheiros do que a ele próprio (bem característico de tímidos que se envergonham ao falar bem de si mesmo), e fechou reafirmando seu desejo em ser o instrumento da continuidade, frase cunhada duas vezes antes de deixar o microfone.
Geraldo , agora sem seu casaquinho beje e com as mangas da camisa arriadas refletia aimagem do genro que toda nora pediu a Deus: limpinho, de boa procedência, munido com frases bem trabalhadas... E já que Lula quer ser Getúlio Vargas, Alckmin se apega então a JK, relembrado o homem que em Jataí, há 51 anos, anunciava a criação de uma nova capital no cerrado.
Na porção final do discurso, e para alívio dos aliados, passou a despejar críticas mais duras contra o PT e de forma mais direta contra Lula - sem esquivas ou meias palavras.
Contra o pífio desempenho das pesquisas garantiu:
"Agora que a campanha tá começando, agora que o voto começa a ser decidido!"
E voltou-se contra a imprensa numa enigmática declaração:
"Eu tenho visto companheiros da imprensa de pouca fé. Esse povo de pouca fé teve um tira-teima hoje aqui em Goiás. Hoje é a prova de que o país( referente às pesquisas) vai mudar"
Finalizou o com o trecho da música de Gil: "Sonho que se sonha só é só um sonho, mas um sonho que se sonho junto se torna realidade"...
Comprovando o seu distanciamento com o povo ao buscar frases bem encaixadas, mas que não conseguem chegar até um nível de sentimento profundo do povão. Duvido se após quinze minutos, alguém da platéia conseguiria reproduzir a frase de encerramento do discurso de Geraldo.
Pernadas:
Grande parte da bancada tucana e mais alguns jornalistas se expremem no momento de descida do Centro de Convenções para a passeata pelo Centro. Seguranças fazem seus serviços isolando os candidatos à forceps. Tensão. O grupo principal deságua à frente. Tento achar Fabiana no meio do bolo e acabo ficando para trás.
No momento de afunilamento para passar pelo portão, inicia-se ao meu lado um desentendimento de um cabo eleitoral com um engraxate bronco, que acabou sendo empurrado sem querer. Justo quando ninguém conseguia se deslocar de acordo com seus interesses, sendo simplesmente levados pela massa, o engraxate entra em crise de fobia e começa a gritar, armando o braço para um soco: "Não me encosta porra! Não me encosta!!" - como se isso fosse possível.
O desespero do cabo eleitoral, logo atrás, sob a iminência de um soco, foi aliviado por outros militantes que impediram a pancada.
Passado o aperto do portão, a massa cai na rua velozmente. Nesse momento, o cume da passeata já se encontrava a mais de uma quadra de distância, e em ritmo acelerado. Tendo alcançar a linha de frente e atravessar a baderna de bandeiras que flanulam sem se preocupar com cabeças alheias. O turbilhão parece te envolver impossibilitando que se escape do tumulto. Sinto como se pegasse uma onda quebrada e mesmo tentanto chegar a superfície, não conseguisse sair do caldo. Foi preciso uma volta por fora, em ruas paralelas, para vislumbrar a passeata pela frente, longe da arrebatação da massa confusa.
Nas ruas do centro e nos prédios em volta houve pouca comoção. Apenas alguns comerciantes e os já tradicionais habituês do centrão, observando introspectos o aceno de braços. Muito mais curiosidade do que apoio político em si. De algumas janelas pessoas acenavam, poucas, outras arremessavam papeis picados(que podem ter sido feito pelos próprios comitês).
Produtoras em pólvora tentavam captar rostos mais animadinhos pelas calçadas ou algum garotinho no ombro do pai, com uma cara de aceitação pura e incontestável. Coisa difícil!
O destaque ficou por conta de uma velhinha que, ao chamado de Marconi, partiu em disparada da calçada rumo ao abraço dos candidatos, no centro do tumulto. Atravessou rasante e chegou aos braços de Alckmin, sendo fortemente abraçada e já deixada para trás, devido o ritmo incessante da caminhada. Até então, não se sabe sobre seus resquícios. A velhinha foi engolida pela turba e talvez tenha virado poeira urbana.
Ao final da Rua 3, próximo ao Eixo Anhanguera, a dispersão se dá de forma rápida e sem cerimônias. Sem acenos ou palavras finais. Candidatos adentram seus veículos e disparam. Pronto!
Já dentro do carro rumo à redação, recosto no banco e uma sensação de alívio acompanha o pôr-do-sol. Alguns flashes retrospectivos pipocam desordenados, um cansaço gostoso nocorpo, mas nenhuma música me vem à cabeça neste momento.
João Gabriel de Freitas
Thursday, September 07, 2006
A importância de saber ler e escrever!

Se não me escutam, eu falo com o papel e a caneta!!!
Poder vivenciar o dia a dia de uma "grande" cidade, como Goiânia, é uma experiência e um aprendizado incalculável.
Vamos ao caso deste cidadão da foto.
Já estou acostumado a vê-lo pelas ruas do centro passando pelos pontos de ônibus a pedir algo ou simplesmente sentado a conversar com si mesmo...
Quando eu o percebi ali, uma moça tomava de suas mãos a caneta que tinha lhe cedido, pois seu ônibus acabava de chegar. Ele me vendo com uma mochila escolar, logo em seguida, me pediu uma caneta emprestada. Como sempre perco minhas canetas e já me acostumei a carregar um monte, falei que podia ficar com aquela. Ele agradeceu sorrindo e voltou para sua concentração.
Em outras situações, muitas pessoas, não todas, acabam saindo de perto ou olhando com desconfiança quando ele se aproxima.
Mas ele, a meu ver, nem percebe. Continua em seu mundo, sem notar o que se passa ao redor! Ou então está tão acostumado que não se incomoda mais.
Nesta sociedade excludente onde o diferente é separado, seja por meios institucionais ou pelo olhar discriminatório das pessoas, o alento da escrita consegue dar forças para encarar e diminuir este tipo de preconceito.
Como é bom escrever nos momentos de descrença e tristeza. Poder expor no papel, ou no computador, nossas alegrias e vivências.
O poder da escrita não se compara com nada, é uma coisa de dentro da gente que nos ilumina e regenera...
Foi justo o que eu notei quando me deparei com este homem escrevendo. O prazer, a vontade, a determinação estavam escancarados em seus gestos e em seus olhos. O barulho das conversas ou dos ônibus não tiravam sua concentração. Nem o flash da câmera ele percebeu. Nada o tirou daquele momento prazeroso e saciante da escrita...
Fiquei muito curioso para saber o que estava sendo escrito naquelas linhas, mas não quis interrompê-lo. Preferi deixá-lo do jeito que estava, imerso em seu universo.
Depois de quase meia hora meu ônibus chegou, e lá ele continuou sem perceber minha partida... Só pude me despedir mentalmente. [Até mais e obrigado!].
Vasconcelos Neto
Monday, September 04, 2006
Passageiro [remixmodeon]

As notícias cotidianas chegam como um ruído aos meus ouvidos. Ligo uma música. O pequeno suspense das notas graves é suavizado pela melancólica síncope no piano. Esse jogo é levado em crescendo até que suaves acordes de uma guitarra entram em cena favorecendo a vizualização de um ambiente mais intimista. Intimismo em amplas galerias. Cavernas e pubs, ecos da aventura humana na América. O piano volta à cena, as pulsações do baixo podem ser ouvidas por entre as ligeiras frestas. Um silêncio preenchido pela imaginação. O piano cessa. Quem me conduz agora são os sons graves, quase inaudíveis, por isso mesmo delíciosos, do baixo. Esse som grave carrega meu corpo com um roçar, sinto-me, em segundos, leve, flanando entre becos esquecidos de alguma cidade chuvosa onde observo a frágil tristeza dos transeuntes, a violência voraz dos automóveis, a vertigem dos arranha-céus - saboreio morangos. Uma criança com roupas vermelhas me observa. A insistência de alguns acordes servem como mote para o suave retorno. O som do piano, não mais sincopado, ameno, belo, me ampara em seus braços. Retorno com um sabor agridoce em meus lábios.
Levanto-me e saio. Ouço o ruído das notícias descer pela sarjeta das ruas do meu bairro. Sigo subindo a rua [o vento por aqui é mais frio]. A pequena solidão de observar o cotidiano de pessoas desconhecidas me deixa alegre. Continuo o meu caminho por entre as ruas vizinhas e a contente sobriedade das casas pequeno-burguesas, olho de soslaio para a sarjeta e sorrio.
Carlos Eduardo a.k.a contra
Friday, September 01, 2006
Poemas para determinados instantes

A fumaça ainda na garganta.
O álcool ainda na saliva.
A boca quente, os olhos pálidos,
Cheios de lágrimas que não caem.
Tudo dormente. A alma pesa,
Presa ao corpo sujo.
Doem os músculos.
Os cheiros vêm, as cenas passam.
Tudo suspenso no ar.
Tudo deseja não acordar
Tuesday, August 29, 2006
Tempos em tempo
O tempo não passava. Nem toda a diversão do mundo parecia-lhe o bastante. Mas, é isso aí, pensava. Demora, mas, sim, o tempo passa. Passa e traz novas e velhas novidades. Restava-lhe esperar por elas. Só não sabia se o ideal era esperar ou correr atrás. Tanto comodismo... Tudo parecia tão trabalhoso. Ter que traçar estratégias e medir palavras o cansava.
Cada acorde mais agudo numa guitarra qualquer lhe enturvecia a cabeça. Aparecia de volta aquele olhar. Olhos de ressaca? Só se fosse do álcool intenso e cansativo que ingeria. Porra, o mundo inteiro esta lá fora e o cara lá, meio que saboreando, remoendo aquela coisa ruim. O problema é que existem lembranças. Ele travava, sem muita vontade, de apagá-las. Passava um disco pra trás dos outros. Evitava ouvir um ou outro CD. Nas roupas se complicava ainda mais: não sabia como fugir da relação imediata.
Mas nos crepúsculos é que se doia. A idéia do sol indo embora, dos móveis perdendo luz e do mundo ficando cada vez mais silencioso o assombravam. Sempre assombraram. Um cigarro não era remédio suficiente. Sentia que aquilo aumentava o tique-taque implacável do relógio. Não era o instrumento o problema. As engrenagens da máquina iam bem. As dele, não. Mas o tempo passa para todos. Passaria para ele também.
Pedro Palazzo Luccas
Tuesday, August 22, 2006
Exames da Vida
Ahhhh!!! Como é bom chegar aqui!!! - Exclamou Badalysson Durão ao dar o primeiro passo em chão firme após 7 horas de uma incômoda viagem de ônibus. Durão, como era conhecido pelas pessoas de sua cidade, sempre desejou morar na Capital. E foi exatamente na Cidade Grande onde o fato ocorreu.
Um certo dia, logo após um almoço tipicamente brasileiro, orelha de porco, buxada, costela, feijão tropeiro e de corda, arroz, mandioca, dobradinha e um limãozinho para dar o gosto, nosso protagonista resolveu tirar uma pestana, como dizia sua tão estimada e falecida avozinha.
Normal, muitas pessoas dormem depois de comer, mas Durão começou a se sentir mal depois de alguns minutos de sono. E assim preocupado, ele seguiu para o hospital!
Meninos chorando, gente queimada, sangue no chão. No corredor dos ambulatório tinha uma mulher que aguardava ansiosamente por sua vez na ultra-sonografia, dizia ela que estava passando roupa para seu marido, quando escorregou e a ponta de um cabide ficou preso na... bem, vocês podem imaginar.
"Badalysson Durão" - chamou o médico com um pouco de dificuldade e com a voz cansada.
-Qual é o seu problema? Perguntou o senhor de vestimenta branca.
-Bem dôtor. Eu tô com uns revestrés na barriga... meus olho tá virando toda hora. Acho que dessa eu num passo.
Numa analise visual, olhando de baixo pra cima, da esquerda para a direita, apalpando a barriga e naquela famosa situação do "trinta e três" com os pulmões cheios de ar, o doutor disse:
-Hum, isso deve ser inflamação estomacal... bem, eu vou passar uns exames para você e no mês que vem você retorna! Finalizou morbidamente o médico.
E para casa Badalysson foi. No outro dia às cinco da manhã, Durão esperava ansiosamente pela abertura do laboratório. Tinha maquinado a noite toda quais exames teria que fazer, o que iriam fazer com ele, o que teriam que colocar nele... até sonhou com a sua vó, falando para que ficasse quieto enquanto aquele "tiozinho" da farmácia (não só no interior, mas em vários lugares) , que às vezes tem o antigo segundo grau, enfia uma agulha em seu braço ( neste caso, pois sempre teve vergonha de mostrar suas nádegas publicamente).
Ele entregou o pedido de exame para a moça, que sorridentemente analisou o conteúdo. Fez algumas perguntas, procedimento padrão do laboratório, digitou outras coisas no computador e com firmeza no olhar informou a Durão:
-Pegue este recipiente para que o senhor possa colher o material!
-Colher o material? Indagou.
-Sim, feche bem e guarde na geladeira, pelo menor tempo possível!
-Muito obrigado.
Durão saiu do laboratório repetindo o pedido da secretário do laboratório. "Colher o material, colher o material, colher o material...". Mesmo com as malditas músicas do ônibus, que geralmente por serem ruins grudam no pensamento, Badalysson não se esqueceu...
"Colher o material".
Chegando em casa tirou os sapatos e sentou-se na cama. Abriu a sacolinha e olhou para o pequeno "pote", e só neste momento ele se deu conta, "Que porra é essa de material?".
Rapidamente voltou ao laboratório que ficava a uns 40 minutos de sua casa, isso se o trânsito estivesse livre, em caso de engarrafamento poderia levar por volta de 1 hora e meia. Entrou meio ofegante na sala de entrada, procurou a moça que o atendera, que por sinal tinha saído para comer (horário de almoço). Pacientemente ele esperou por 1 hora, talvez mais um pouco.
Assim que a senhorita chegou, ele educamente perguntou:
- Oi tive aqui de manhã, para pedir uns exame e não sei se a senhora lembra de mim... - ela balançou positivamente a cabeça - Pois é, cê disse que era pra eu colher o material, mas o que é material?!
- É colher fezes meus senhor! Respondeu a secretária com uma feição risonha.
- Ahhhhhhh!!! - Exclamou bem alto. - Brigado.
No caminho a mesma coisa. Ouvindo musicas ruins no ônibus. Pessoas se esfregando e compartilhando o odor e suor dentro do transporte coletivo, e nosso protagonista firme nas fezes. Não parava de pensar, "colher fezes, colher fezes...".
Quarenta minutos depois chegava novamente em casa. Cansado só pensava em comer alguma coisa, já que ninguém é de ferro. Depois de comer um feijão-com-arroz básico, se voltou ao seu exame, e entrou em mais um dilema:
-CARALHOOOO!! O que é fezes??? Gritou bem alto.
Neste momento Durão quase foi acometido por uma indigestão. Já não ia muito bem do estômago, com mais essa agora por pouco foi para o saco. A única coisa a se fazer, pensava ele, era ir ao laboratório novamente. Já estava grilado, pois teria que enfrentar o busão e tudo aquilo novamente, e o mais engraçado era ter que fazer isso na hora do "rush" novamente...
Depois de ter enfrentado tudo de novo, mais uma vez chega no laboratório. Com cuidado ele esperou a secretária atender a todos que estavam na sua frente. Chegou a pegar uma senha para ser atendido. Quando chamaram seu número, cautelosamente ele se aproximou e já foi se explicando para a moça, que ao vê-lo fez aquela cara (de novo?):
- Olha moça, desculpa eu, mas é que sou do interior, então eu num sei de algumas coisas. Num queria incomodar, mas o que é fezes??? Perguntou inocentemente Durão.
Surpresa e com um olhar de raiva (um daqueles que você sabe o quanto a pessoa ganha pouco para te olhar assim) ela respondeu enfaticamente:
-É BOSTA! MERDA...
Com espanto e confuso Badalysson retrucou:
-Calma moça, também não precisa me ofender xingando desse jeito... Mas me responde ai, o que é FEZES???
Renato Cirino
Tuesday, August 15, 2006
o que sobrou...
Nesse tipo de viagem alguns momentos fazem valer a pena todo sacrifício. Valem a penúria da convivência em grupo (pelo bem coletivo e pelo mal próprio). Valem o constrangimento da intimidade forçada, do banho quase unisex, os roncos, valem a vontade de mijar ao menos um dia sentada e defecar em algum lugar que não pareça banheiro químico. Valem aquela fila de restaurante popular na hora do almoço, valem tomar um café que mais parece feijão servido com batata doce.
São momentos que compensam tudo, como encarar aquela imensidão desconcertante que é o mar, olhar seu encontro com o céu e não saber nem pensar nada. Momentos como topar com uma batucada baiana nas ruas do Pelourinho, ver de perto aquelas mãos que tocam o repique e o timbau num prazer que o corpo quer a qualquer custo e daí, não conseguir recusar os passos. Entrar por acaso num espaço dançante e testemunhar um bolero tocado ao vivo para os senhores e senhoras se acabarem de dançar. Melhor ainda: estar só com mais três amigos...ê sorte! Experimentar aquelas doses de pingas exóticas e afrodisíacas. Andar pelas ruas à toinha, e achar um café todo charmoso com uma decoração cabulosa e um capuccino baratinho. Momentos de conversas, de restauração de amizade que havia se tornado rotina.
Embora o Elevador Lacerda tenha decepcionado um pouco, o episódio do Gatorade foi impagável. É que nosso companheiro não sabia que os pedintes de Salvador têm uma maneira educada de pedir as coisas. “Me dá um gole, tio?” fica melhor que pedir logo tudo. Mas nosso companheiro levou a sério a sutileza do menino. Entregou a garrafa, esperando só o gole. Tinha acabado de comprar. O menino pegou a garrafa, virou as costas e saiu tomando de glut glut, enquanto a gente assistia a cena, vendo nosso amigo esperando não sei o quê, com uma cara de mané passado para trás por um moleque de pouco mais de 1m.
Alguns não viram. Ainda bem. Sorte minha e dos quatro seres chapados que estavam comigo. Bebi tanto que encontrei até cabimento em dar uma estrela de vestido, no meio da chuva, na pista de dança. Realiza a cena desta pessoa neste gesto olímpico. É, eu também não consegui.
Outro momento memorável foi nosso desabafo coletivo no Bar do Paredão. Haja saco para aturar certas coisas. Quem não estava ou não ficou até o final pode se preocupar, porque com certeza seu nome entrou na roda das línguas felinas. Fizemos uma espécie de Big Brother de verão e colocamos na mesa quem nós achávamos que eram dispensáveis no coletivo, seja pela falta de interação, seja pelo excesso de participação. Incrível eram os argumentos e a capacidade que temos de dissimular o que pensamos das pessoas. Também não foi só veneno, fizemos elogios às pessoas que mereciam.
Afinal, nessas viagens, a presença de algumas pessoas é de suma importância. Não teria a mesma graça sem a presença espontânea de Zetinha, o terror dos moradores de Salvador. Ela tornou os ônibus coletivos um verdadeiro trio elétrico com batuque e tudo. Imagine você entrar no buzão, numa bruta segunda feira, depois do expediente e deparar com um singelo grupo de trinta pessoas cantando e dançando Tchaco, eu tô em cima eu tô em baixo, Piririm pom pom, piririm pom pom é Goiás no Enecom. Ou viajar ao lado de um fanho que vai cantando a musiquinha da pamonha vai pamonha, vai cural. É no mínimo engraçado. Melhor que isso só pegar um taxista que, para lá de meia noite, arruma ânimo para curtir um mambo em ritmo de batuque. E enquanto o som do carro mandava ver no volare, ôô, cantare, ôôôô o motorista se divertia no zigue zague e nas ultrapassagens. Atrás, outro grupo viajava ao som do badalo do negão. Deu até para criar um filme erótico de Emanuelle em Salvador com o título: Emanuelle e o badalo do negão. Criação do João, outra pessoa que tem umas tiradas muito bem vindas. A da fotografia foi a melhor. Não vou citar um por um, mas valeu aqueles que fizeram essa saga de retirantes compensar. Ah, não podia esquecer do último instante da viagem. A gente queria de verdade ver o oco, mas suspeito que as pessoas não entenderam o gesto. De quaquer modo, essa é a minha galera!!!
Thursday, August 03, 2006
Molho de Chaves

"A morte é tudo que nos apreende. Manoel de Barros é tudo que nos escapa. "
Wertem
O encardido confortável da parede. Uma goteira silenciosa. Seus brincos amassados. Mistérios que não se mordem com caninos. Uma tosse seca no meio da noite...
Não é preciso tanto amor para não se esquecer das migalhas. E mesmo sem abrir todas as portas - sem nunca abrir todas as portas - você não se desfaz do molho de chaves, pesando nos bolsos.
João Gabriel
